A relação das endívias com os chifres.
Sou ex-cátedra em equívocos tais como a da relação entre o touro e as aspas, o que determinaria que toda vaca é mocha. (Mico pago e só morto aos dezoito. Fazer o quê?) Há pouco tempo, num almoço em família, confessei minha frustração ao descobrir, já aos quarenta e me esqueci, que o sagu não dava em tenras vagens de interior felpudo colhidas sob frondosas árvores de um extenso e fresco saguzal. Após risos gerais uma arquiteta presente perguntou: “Então como é que eles nascem?” O que, obviamente, desencadeou uma nova e apoplética onda de gargalhadas. (Ela jamais esquecerá!) Isso prova que algumas certezas que se tem pela vida não são tão certas assim.
Agora, a propósito da ceia de Natal, foi dito que teríamos endívias recheadas. Após alguns segundos alguém perguntou: “Pescadas aonde?”
Irresistível! Passei uns quinze minutos dissertando sobre a origem das endívias pescadas no Mediterrâneo no inverno europeu, que na primavera descem pelo Estreito de Gibraltar até os Açores onde se acasalam com as lascívias, muito mais lúbricas do que as endívias, quando recebi um cartão amarelo de minha esposa e fui pra casa.
Em vinte ou mais anos o ignoto instruído sobre endívias mediterrâneas cairá na realidade e me rogará pragas que não me atingirão no além túmulo. Como é rica a língua brasileira. Como é gostosa a vingança. Pois aquele que hoje não sabe o que é endívia é da mesma espécie daquele que um dia me disse que o touro era o que tinha chifres.
Toma!
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28/12/2011 às 11:53 PM
ahahahaha… eu e a Grasi estamos nos acabando de rir aqui… vou contar um diálogo rápido, de um dia que estávamos viajando para Gramado e uma vaca (mas com chifres) estava solta na estrada. Depois de eu desviá-la com algum perigo, a Grasi disse:
- Como pode um boi solto assim na estrada?
- pois é… mas não era um boi, era um vaca…
- Vaca? mas tinha chifre…
Você não está só… além do mais, do jeito que eu gosto de um sagu, olha que um saguzal seria maravilhoso. Mas, agora sério (como se isso fosse possível)… com o que vcs recheiam as endívias?
Só não vá me dizer que é com ovas de lascívias…
29/12/2011 às 2:04 PM
Agradeça à sua esposa pela solidariedade na questão da desinformação zoo-biológica básica.
O recheio das endívias é feito pela minha filha Simone que me fornecerá os engrediente e lhe enviarei. Na verdade as endívias não são realmente recheadas, no sentido em que algo é introduzido nelas, mas têm suas folhas usadas como barquetes sobre as quais são colocados misturados os ingredientes do chamado recheio. Deve ter sido tirada uma foto. Vou anexar ao post.
Quanto à natureza do sagu ainda não estou totalmente convencido…!Não posso acreditar que algo tão bom seja relegado a uma reles e massificada pelotinha de amido cuspida por uma máquina insensível.
29/12/2011 às 3:20 PM
tá bem, em troca mando a receita de lula frita com salada de endívias (o molho reduzido de limão siciliano que temperou a lula é que tempera a endívia…)
29/12/2011 às 6:06 PM
hahaha, adorei a história dos chifres, eu também sou dessa turma da ‘ignorância’…
E o Luis Fernando Veríssimo tá certo, ‘Lascívia’ tem o maior jeito de nome de uma princesa dessas ‘da pá virada’…
29/12/2011 às 9:54 PM
Conheci a Princesa Lascívia, sobrinha da condessa Esdrúxula, que tinha um caso com o mordomo Esquálido.
Feliz 2012 e que ele dure até o fim dos tempos, profi.
10/01/2012 às 6:51 PM
rsrs muito bom
mas confesso que li uma vez e naum entendi muito
dei uma viajada rsrs
mas recorrir a tecnica do dicionario e logo apos
ler novamente estava no chao rolando de rir kkkk ^^
um forte abraço
10/01/2012 às 10:35 PM
A nossa língua é assim mesmo!
Ótima para dar nós e complicar da mesma forma que os desata e explica.
Graças aos seus meandros um médico pode dourar a pílula e um paciente desenganado sair achando que está curado.
Um advogado pode defender os dois lados e ter razão duas vezes.
Um padre condenar ao inferno um pecador sincero e perdoar um crime mal contado.
Um político mentir e ser eleito enquanto a verdade é considerada um pecado.
28/01/2012 às 4:19 PM
E eu que adoro chicória,rs.
28/01/2012 às 9:09 PM
Li, a desaparecida! Meu tio Mastruço era casado com uma Chicória, mas ela fugiu com um japones chamado Nabo que pescava endívias.
30/01/2012 às 12:07 PM
rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsr
Adorei !!!
Pois é…..ainda aguardo as Novas Aventuras do meu(nosso)
et preferido.
E nem ouse um assassinato na calada da noite,rs.
Aí sim…..o sumiço é permanente.
Como é estranha a lógica de tudo,sou perdidamente apaixonada por algumas histórias,alguns personagens,
alguns autores,lamentavelmente todos mortos,rs.
Tenho certeza que o etzinho conquistou uma legião de fãs.
31/01/2012 às 10:08 PM
Algum dia, em resposta às reclamações, a nave de Pierre dá as caras por aqui.
01/02/2012 às 3:16 AM
Terei torcicolos….muitos,rs.