A Saúde está Doente.

Publicado 15/05/2012 por romacof
Categorias: Médicos, Política, Ponte, Realidade

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Este post nasceu de um comentário ao blog “Pensar não Dói”, e, como tal, também é um comentário, uma carta resposta, uma ponte, e um relato sobre como as coisas vão por aí.

Arthur! Veja que historinha! (que parece dissociada de seu último comentário, mas que se abraça com ele em vários aspectos, como verá no final). Dia 4 estava em Torres comprando um telefone no meu importador preferido. Como médico tenho a habilidade (ou o azar) de detectar um desconforto na área cardiovascular, e diferenciá-lo da paranoia presumível nesses casos, com certa antecedência. Percebi que virar presunto num banco de praça em Torres não seria um forma muito honrosa de empacotar. Em 80 minutos o Jaime me teletransportou para a emergência do Instituto de Cardiologia, onde fique 5 dias na UTI e fui agraciado com um cateterismo femural e inúmeros outros mimos que o pudor não me permitem relatar, mas que me mantiveram no mundo dos vivos. Tudo isso foi uma merda, mas o final feliz e as atitudes dos caras certos produziram resultados positivos. Fui o penúltimo paciente a ingressar no IC-FUC e, logo após, o setor foi fechado por 3 dias – por absoluta falta da capacidade hospitalar em absorver mais casos – e isso aconteceu em todos os hospitais de Porto Alegre nos dia 5, 6 e 7. A título de curiosidade: fiquei hospitalizado uma noite – ou sendo faturado pela contabilidade da Unimed – numa dança das cadeiras no setor de emergência, por que o número de pessoas era maior do que o número de cadeiras, e por que não havia leitos – uma desculpa funcional, mas não moral.

Vamos equacionar o problema: a cidade de Porto Alegre teve um aumento populacional, e consequentemente de potenciais usuários da rede hospitalar. A rede hospitalar não cresceu na mesma proporção, embora as maquiagens nas reformas nos queiram fazer pensar o contrário. Os convênios de ponta (e citemos apenas a Unimed e a Goldencross) continuam vendendo os seus planos e oferecem médicos, laboratórios, serviços de radioimagem computadorizada, inovações futuristas e hospitalizações com requintes de hotelaria de primeiro mundo. Esses serviços são cobrados dos novos clientes, que acreditam que vão receber o prometido – como naquelas correntes milagrosas em que você manda um real para o último nome da lista e quando o seu nome chegar lá você vai receber 100 mil reais. No entanto, quem deve oferecer o serviço é aquela mesma rede hospitalar que fecha as portas porque não tem como absorver a demanda. E teremos uma copa, e uma olimpíada, e invernos com toda a gama de doenças respiratórias da estação. Parece que está sendo vendido muito peixe que ainda não foi pescado. A rede hospitalar existente faz o que pode, e, nessa área qualquer grupo profissional que tentar quixotescamente aumentar a capacidade de leitos cometerá suicídio financeiro se não contar com a participação do capital privado e do apoio público. Mas isso não se vê. Nós vemos – e só não vê quem for cego ou cúmplice – outras coisas.

Soluções que estão sendo propostas ou efetivadas, mais ou menos com aquela objetividade de quem vai à farmácia pra comprar picanha : Aumentar a capacidade dos aeroportos. Aumentar o contingente policial nas ruas. Melhorar e ampliar a rede hoteleira. Salvar bancos falidos. Obter um habeas corpus para o Cachoeira. Fazer alguns acordos temporários por baixo da lona com a traficância. Pintar a fachada das casas nos locais em que os ingleses possam passar. Liberar a cerveja. Esconder os pobres. Matar cães vadios. Ou vice-versa. Encurtar as saias e aprofundar os decotes. Varrer as ruas. Sorrir para os turistas. Montar foguetórios nas vizinhanças dos hotéis dos hermanos. E não dar muita importância para a questão da saúde, pois dor de barriga dá e passa. E se não passar e a coisa for realmente grave o paciente morre. E se morrer vai ser um a menos pra reclamar.

Como insinuei na introdução vou postar o comentário, pois dizem que o eco pode ser ouvido duas vezes.

Papai! Quando eu crescer quero ser um juiz corrupto aposentado!

Publicado 13/05/2012 por romacof
Categorias: Leis, Médicos, Política, Ponte, Realidade

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Este post nasceu de um comentário ao Blog Brasil dos Absurdos , por isso é um post, uma carta, uma resposta, e uma ponte.

Caro Declev (a propósito estive em “Quem é Declev?” e quero parabenizá-lo por seu status intelectual, que deduzo, do conteúdo de muitos dos comentários em seu blog, não foi devidamente considerado).

Cabe aqui a notícia: “O teto pago pelo INSS para os aposentados da iniciativa privada, conforme publicado no Diário Oficial da União, subiu para 3.912,20 reais mensais em janeiro de 2012.” O que a notícia não diz é que isso vale apenas para os mortais. Omite os conhecidos desvios, bovinamente aceitos por todos nós, e que valem para os que estão fora da privada, nos aproveitando da homonímia que a notícia proporciona.

Cabem aqui dois exemplos para estabelecermos um paralelo: Sou um médico aposentado compulsoriamente, após uma revascularização cardíaca, com os rendimentos estabelecidos pelo INSS em 2.535,06. O Sr juiz federal Weliton Militão dos Santos (vide operação Pasárgada), afastado por corrupção, também foi aposentado compulsoriamente por seus pares, com rendimentos iguais à remuneração integral dos imor(t)ais daquela esfera: algo, hoje, em torno de 31.000,00 reais mensais.

Conclusão possível (que quase poderia ser considerada um silogismo se não fosse um piada trágica): Enfartar é crime e a corrupção deve ser premiada.

Já dizia o profeta Manoel Bandeira: “Vou-me embora pra Pasárgada. Lá sou amigo do rei.”

Nossos estudos (os meus e o do Militão) não podem ser comparados em termos de tempo, esforços e dedicação. São baseados em paradigmas diferentes e movidos por necessidades e objetivos que os colocam muitas vezes em paralelismos conflitantes. Há quem diga que os juízes (pelo menos os íntegros), são fundamentais nas inúmeras questões conflitantes envolvendo os seres humanos. Outros defendem a importância dos médicos, onde a integridade também é um quesito básico, na tentativa de minimizar o sofrimento dos seres humanos. E aproveito para deixar um recado aos defensores daquela proposta simplista: “Não seja invejoso, estude, passe num concurso público, e deixe de reclamar!” Se todo brasileiro fizer isso faltarão médicos, professores, engenheiros, psicólogos, pedreiros, mecânicos, e por aí vai, e sobrarão funcionários públicos, mas sem o público que paga os seus salários. Pelo menos para todos aqueles que sentem a necessidade de trabalhar com algo que lhes preencha a alma e não a mala, o primeiro pensamento não é o que eu vou ganhar, mas de que forma posso participar e ser útil nessa zorra geral.

Não pretendo diminuir a importância dos juízes. Não tenho os elementos e nem a vivência necessária para julgar os problemas que esses profissionais enfrentam na vida. Em contrapartida posso afirmar a total ignorância dos senhores juízes, de qualquer instância, sobre os tipos de dificuldades enfrentadas pelos médicos. E isso se aplicar em relação às outras profissões, e aos seres humanos, e aos seus conflitos, e às suas necessidades… ou, pelo menos, é o que podemos deduzir da falta de sensibilidade expressa nas relações desse poder com o povo.

Em tempo: Com o objetivo de escrever um post para o “Cágado Xadrez” entrei em seu blog procurando informações sobre os ganhos de um juiz aposentado. (Dor de cotovelo depois de 5 dias de UTI para um cateterismo, e sendo vizinho de box de um juiz com uma mentalidade de ostra). Resolvi fazer um post do comentário e vice-versa. Um abraço e boa sorte em sua cruzada.

Demóstenes e as pedrinhas bonitas.

Publicado 03/05/2012 por romacof
Categorias: Contos, Política, Realidade

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Se você acha um saco ler papo furado introdutório pule as letras coloridas e vá direto ao texto…!

Hoje as crianças (e muitos adultos) ficam sem entender as notícias veiculadas pela mídia. Os enredos das histórias estão recheados de expressões jurídicas ou regimentais. Nem sempre é possível distinguir o mocinho do bandido. E os desdobramentos são tão longos e complexos que nós às vezes nos perguntamos: “Esse aí, que agora é o chefe da investigação, não é aquele que havia renunciado pra não ser cassado, naquele outro caso, no mandato anterior?” Antigamente tínhamos o recurso das fábulas, das lendas, e dos contos envolvendo palácios em terras distantes com seus reis solitários e mágicos sinistros. As histórias eram despidas dos meandros e desvios desnecessários e ganhavam versões fantasiosas, diretas e sintéticas, para que as crianças entendessem a trama, com um começo, um meio e um fim, com uma lógica alinhavada perceptível,  para que todos pudessem depreender dali algum ensinamento moral. É claro que as histórias atuais não podem ser tão facilmente simplificadas, tendo em vista a miríade de relacionamentos, principalmente nas questões palacianas. Se os olhos e os ouvidos da lei encontram dificuldades para distinguir um conchavo fisiológico de uma gatunagem explícita, imagine a confusão dos leigos (eu e você) quando ouvimos uma declaração incongruente de um nobre homem público. Será que aquilo foi um arroto de um garganteador ou um deslize de um bandido burro? E, se enveredarmos pela colossal elasticidade nos conceitos de moralidade, e pela análise da carência de critérios e filtros que impeçam que desequilibrados se utilizem da máquina pública, entraremos com os dois pés num tratado sobre a psicopatia – um longo e triste capítulo da relação dos homens com seus líderes – e fugiremos totalmente do tema desta postagem, que é a reutilização da fantasia, para que as nossas crianças possam entender o que vai por aí. Então vamos em frente!

 

 

Conta uma lenda que, num reino muito distante, vivia um homem chamado Demóstenes (o que na língua antiga significava “a força do povo”). Esse homem era o responsável pela retidão nos assuntos e negócios do reino. Todos os acordos dos homens poderosos deveriam ser analisados por ele. Depois que ele escrevesse em um pergaminho: “Avaliei os mais variados aspectos desse acordo e conclui, por minha consciência, que ele obedece aos mais estritos ditames morais e está voltado para o bem de todos. Comunique-se ao rei que é uma proposta ética, e que sua execução depende apenas de sua soberana vontade.” Depois que ele enrolasse o documento e derramasse cera quente para selá-lo com seu carimbo todos ficavam tranquilos, pois Demóstenes havia escrito a sua palavra. Ele era o guardião da Ética. E isso era inquestionável.

Mas um dia, estando muito quente, Demóstenes, cansado de tanto trabalhar, passou perto de uma cachoeira e resolveu se banhar. Ficou nu, deitou suas roupas sobre as pedras à margem do rio e foi se deliciar com o frescor das águas, que caiam do céu refletindo os raios do sol como um véu de prata riquíssimo que os anjos displicentemente estivessem distribuindo sobre aquele pedaço de mundo. O guardião da Ética ficou inebriado com tanta beleza e tanto prazer. Sentiu sono e se deitou numa pequena praia à sombra da cachoeira. Mas mal havia cochilado ouviu uma voz: “Por que ter esse prazer por um momento tão curto se ele pode ser todo seu por todo o tempo?” Demóstenes deu um salto, assustado, pois acreditava estar sozinho naquele lugar, e, como estava nu, entrou na água, deixando só a cabeça de fora. “Quem… quem está aí?” Gaguejou. E a voz voltou a falar: “Sou o espírito da cachoeira, nobre guardião da ética, e quero lhe oferecer uma vida rica que faça justiça à sua incansável dedicação.” Demóstenes, ainda confuso e não podendo acreditar na realidade daquela situação, exclamou: “Sei que não sou devidamente pago pelo que faço, mas também sei que não é possível ficar eternamente nesse recanto tão agradável, pois tenho trabalho a fazer!” E a voz retrucou: “Meu bom homem! Aquele que dispõe dos meios não precisa vir até aqui, mas manda que o prazer vá até ele.” Por um instante Demóstenes ficou intrigado com aquelas palavras, mas depois achou melhor voltar à sua vida, pois não ficava bem ao guardião da Ética nem ter pensamentos que não combinassem com a essência de sua função. Procurou as roupas, as vestiu rapidamente, e saiu dali. Mas o que Demóstenes não sabia era que enquanto ele falava com a voz da cachoeira os bichinhos do lugar haviam escondido em seus bolsos pequenas pedras preciosas.

De volta a sua sala de trabalho Demóstenes percebeu aquelas bonitas pedrinhas, que imaginou haviam rolado para os seus bolsos na pressa de se vestir, e como ele só sabia distinguir o certo do errado, mas não fazia a menor ideia sobre a diferença entre um quartzo e um diamante, colocou as pedrinhas numa tigela que estava sobre a mesa e se esqueceu delas.

Nesta sala circulavam muitas pessoas, desde as mais importantes, que desempenhavam funções vitais dentro do reino, até os costumeiros parasitas e espertos que orbitam o poder em busca de oportunidades escusas, e entre umas e outras algumas sabiam perfeitamente a diferença entre uma pedra preciosa e um cascalho. Essas pessoas foram, gradativa e indiretamente, ensinando ao guardião da Ética o significado das palavras ditas pela a voz na cachoeira. Um dos ministros propôs a troca de uma daquelas pedrinhas por uma carruagem nova.  Depois um dos conselheiros do rei fez questão de lhe oferecer uma casa mais ampla e arejada em troca de quatro pedrinhas que, aos olhos de Demóstenes, nada significavam. E por fim, a mais linda cortesã que circulava pelo palácio, e que jamais havia correspondido a um olhar seu, se ofereceu para deitar com ele pelas pedrinhas restantes.  E ela organizou reuniões e vieram os amigos e a vida de Demóstenes de transformou numa festa. Nesse ponto ele compreendeu que as pedras tinham um grande valor, compravam coisas que ele jamais poderia comprar com seu ganho como guardião da Ética, e que, em consequência de sua avidez e imprevidência, todas as pedras haviam acabado.

Um dia Demóstenes acordou e viu que a cortesã não estava mais lá. Com ela desapareceram os amigos. A casa estava vazia e triste. A carruagem precisava de uma reforma. Os empregados contratados por aquela amiga circunstancial queriam melhores salários e reclamavam da falta de víveres na dispensa. O guardião da Ética voltou ao trabalho acumulado e sentiu o gosto amargo de sua pequenez financeira. Passou a namorar a ideia de voltar à cachoeira onde encontraria, certamente, mais pedras preciosas. Pesou em sua consciência, por um breve momento, a relação entre os seus desejos e suas obrigações profissionais, e, mais brevemente ainda, criou mecanismos mentais toscos para justificar o seu pecado – afinal, um homem melhor situado economicamente poderia trabalhar com mais tranquilidade pelo bem de todos. E, impaciente, foi em busca da cura para sua aflição.

Lá estava a cachoeira, com seu véu líquido caindo e cantando melodiosamente, mas Demóstenes não tinha sentidos para a beleza do lugar ou para a água refrescante; ele procurava, sofregamente, no lugar onde no primeiro dia deixara suas roupas, possíveis gemas, diamantes, pedrinhas preciosas faiscantes e coloridas, que lhe devolvessem a fortuna perdida. Mas, por mais que procurasse, nada encontrou. Irritado, gritou para a cachoeira: “Onde estão aquelas malditas pedras?” E a cachoeira respondeu: ”Se você está falando das pedras que você levou naquele dia em que veio se banhar posso afirmar que só você sabe o destino delas!” Demóstenes, perplexo, se defendeu: “Como assim? Levei daqui? Você está insinuando que eu roubei as pedras?” E a cachoeira continuou: “E você, o que está insinuando? Que as pedras caminharam com suas próprias perninhas e se enfiaram em suas roupas?” Demóstenes ficou num silêncio confuso e a cachoeira arrematou: “Ora, ora, meu bom homem! Veja em que embrulhada sem lógica você se meteu! É verdade que posso lhe transformar num homem rico, mas o uso que você fará dessa riqueza não depende de mim. Tudo indica que algumas pedras, das quais eu gostava muito, e que já estavam por aí há milhares de anos, foram levadas e, pelo que me consta, usadas por você, conforme a sua consciência. Agora você quer mais! E pode tê-las. Só que dessa vez eu não vou deixar que você simplesmente as leve graciosamente”. Demóstenes, irritado, retrucou: “Você… você está tentando me corromper, e eu… eu sou…” Mas a cachoeira o interrompeu: “Essa questão já foi esclarecida na sua chegada ansiosa em busca de mais pedras: você se corrompeu! Agora estou lhe propondo que estabeleçamos um preço pela continuidade desse seu novo estado: corrompido e, quem sabe, rico. Vamos negociar?” Demóstenes não sabia o que dizer. Todos os seus argumentos pareciam ocos. Algo dentro dele se contorcia em nome da Ética, mas suas novas necessidades gritavam por uma fonte de recursos que as mantivesse. A cachoeira disse: “Bem! Você precisa de tempo pra pensar. Compreendo. E tempo é algo que eu tenho de sobra. Quando você se decidir, amanhã, ou em mil anos, apareça!” Talvez não fosse de tristeza, mas de resignação, a máscara que ficou estampada na face de Demóstenes quando ele fez a pergunta que mudou a sua vida: “Qual é o negócio”?

O espírito da cachoeira tomou a forma humana e ficou conhecido como o Homem Bom, e, sorridente, passou a fazer parte dos mais importantes círculos do poder. Demóstenes, o guardião da Ética, como parte do acordo entre eles, abria as portas para o Homem Bom, e patrocinava moralmente os encontros dele com os homens poderosos do reino. Em pouco tempo o Homem Bom fazia parte da máquina que administrava os inúmeros negócios daquela terra. Estava intimamente envolvido com os ricos, com os lordes, com os juízes, e com os governadores das províncias distantes. Em contrapartida não faltaram mais pedrinhas bonitas e valiosas ao guardião.

O trabalho de Demóstenes, como guardião da Ética, censurando os negócios de condes e barões e ocasionalmente acusando-os de conluios, lhe rendia muitos inimigos. Esses inimigos observavam Demóstenes como aves de rapina e começaram a notar os sinais de seu mágico enriquecimento. Pelos corredores do palácio surgiram cochichos intrigados com a aparente relação entre o aparecimento do Homem Bom e a nova vida de Demóstenes. Brotavam os inevitáveis invejosos. Grupos se aliavam para trocarem segredos vingativos. E, como muitas pessoas murmuravam sobre a mesma coisa, um dia aquela coisa acabou caindo nos ouvidos da polícia secreta do rei.

“Não posso acreditar! Minha polícia me traz notícias de que o guardião da Ética está enriquecendo ilicitamente num envolvimento com esse a que todos chamam de o Homem Bom”. Bradava, indignado, o rei para um de seus conselheiros. E esse, ponderadamente, argumentava: “Majestade, são necessárias provas que confirmem essa notícia. Ordene que a polícia apresente algo mais palpável antes de julgar o guardião”. E o rei, que era um homem justo, concordou: “Farei dessa forma! Exigirei uma prova antes de tomar uma posição definitiva”. E como tudo o que é dito em segredo entre duas pessoas só pode permanecer eternamente em segredo se uma das pessoas morrer imediatamente, no dia seguinte a notícia que corria de boca em boca pelo palácio era de que o guardião da Ética e o Homem Bom haviam perdido as graças do rei, e que a queda deles era uma questão de tempo. Os desafetos de Demóstenes sorriam antegozando a vingança e os sócios do Homem Bom corriam para uma última negociata antes que a fonte secasse.

O chefe da polícia do rei conhecia um homem que tinha o nome de Técnico. Esse homem viajara pelo mundo e havia adquirido vasto conhecimento das artes mágicas. Ele sabia como conjurar milhares de microfadas espiãs, que, uma vez orientadas, se infiltravam em todos os lugares e escutavam as conversas mais secretas. E assim, por um bom período, sem que os grandes do reino suspeitassem, circularam entre eles olhos e ouvidos encantados. E finalmente, a uma ordem do Técnico, as fadinhas voltaram e reproduziram tudo o que haviam descoberto. Nesse momento se percebeu que todos desconheciam um importante detalhe sobre o Homem Bom: ele era, ao mesmo tempo, o espírito da cachoeira, e que, por mais cuidadosas que as cachoeiras tentem ser, elas sempre respingam.

As microfadas começaram a falar e não pararam mais. A cada nova narrativa iam sendo colocados em dúvida os conselhos dos conselheiros, os votos de fidelidade dos nobres que se diziam fiéis, e o julgamento dos juízes. O rei, mudo, duvidava de todos e intimamente perguntava se ele próprio estaria acima das dúvidas. O povo, impotente, não sabia em quem confiar. O Homem Bom permaneceu rico, mas  foi levado para o calabouço e Demóstenes perdeu sua função como guardião da Ética. Alguns doutores da lei pediram ao rei que promovesse acareações entre os inúmeros envolvidos, mas esses utilizaram dispositivos legais, muito comuns naquele reino, tais como o direito de ficar calado e o direito de não dizer a verdade, e mesmo as provas que o Técnico obteve de nada valeram. Algumas pequenas fadinhas morreram roucas em vão, e contam os viajantes que recentemente estiveram naquela terra que até hoje não foi possível contabilizar todos os respingos.

Enquanto isso, o antigo guardião da Ética, agora mais experiente, vive das pedrinhas bonitas que conseguiu guardar…!

No Brasil o racismo vence o bom senso!

Publicado 30/04/2012 por romacof
Categorias: Órfã

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  • SOU A FAVOR DAS COTAS!
  • Elas deviam existir APENAS para brindar os alunos de escolas públicas e pobres que tenham se tornado evidentes merecedores pelo seus desempenhos, independentemente de cor, raça, religião, tendência sexual, afeição clubista, ou mau gosto político.
  •  O resto é recheio de minhoca.

A aplicação da grosa na política.

Publicado 10/04/2012 por romacof
Categorias: Piadas, Política, Realidade

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Grosa é o coletivo designativo de doze dúzias. Ou seja: dizer uma grosa de um objeto qualquer é o mesmo que dizer 144 daqueles objetos específicos . Hoje essa medida de quantidade caiu em desuso, mas num passado recente era comum ver nas pequenas cidades do interior um caixeiro viajante, o equivalente a um vendedor ambulante que, trabalhando de forma independente, ou como representante de grandes lojas atacadistas da capital, oferecia seus produtos e os quantificava em grosas. O número 144, ao ser dividido por 2, 3, 4, 6, 8, 9, e 12 fornece resultados inteiros, e isso facilitava os cálculos envolvendo as mercadorias negociadas, com algumas vantagens sobre o sistema decimal.

Conta o causo que o velho Alphonso Herzverraten, o proprietário de um armazém do interior das Cachoeiras, enquanto limpava o balcão, com um olho num pinguço impertinente e com o outro nuns moleques que fuçavam no baleiro, atendia um vendedor, que, com um bloco de pedidos, perguntava e anotava:

 ― …e carretel de linha, seu Alphonso! Quanto vai?
― Bota uma grossa!
― …e agulha?
― Também! Uma grosa!
― …e botão, boto o quê?
― Bota uma grosa, também!
― Mas uma grossa é pouco, seu Alphonso! Se dá uma febre no mulherio de consertar camisa vai faltar botão!
― É mesmo! Bota meia dúzia de grosa, então!
― Alfinete?
― Também! Meia dúzia de grosa!
― Ah! E penico, seu Alphonso?
― Também… bota meia dúzia de grosa! ― respondeu o dono do armazém, distraído.
― Sóóó? ― disse o caixeiro viajante, meio rindo, como se fosse piada, mas vendo claramente que era distração do velho.
― Tá certo! ― respondeu Alphonso, não percebendo o absurdo da questão e entendendo a exclamação do vendedor no sentido literal. ― Bota uma dúzia de grosa, então! ― E deu um pito na gurizada que misturava as balas no baleiro.

O vendedor, velhacamente, anotou o pedido e foi embora.

A atual geração dos Herzverraten, a que herdou o armazém, até hoje tem um depósito com muitas e muitas grosas de penicos. Eles são pessoas honestas e trabalhadoras que pagam rigidamente os seus impostos, e ainda arcam com os custos adicionais na saúde, na educação, e na segurança; que já foram pagas, mas não retornaram depois de caírem nos desvios da corrupção pública.  Agora, eles bolaram uma promoção e pretendem desovar o desconfortável estoque de penicos. Para quem comprar um fardo de papel higiênico eles estão dando de brinde um penico com a foto de um político colada no fundo. E o cliente ainda escolhe a foto.

Conhecendo o Origami

Publicado 05/04/2012 por romacof
Categorias: Luzes

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 Edição de aniversário
(dia 10 de abril o Cágado Xadrez comemora 6 anos)

Primeira Pata de Romacof

Um dia comecei a dobrar uma folha de papel tentando obter uma pata, ou um ganso, ou um cisne, ou uma figura que poderia lembrar qualquer uma dessas aves, com um razoável grau de semelhança, nunca permitindo uma circunstancial confusão com um galináceo, embora uma simpática tia tenha se esmerado em caretas e dito que detestava morcegos.

De qualquer forma coloco aqui a foto desta minha primeira obra origâmica para apreciação e juízo.

Depois li um livro básico. Em seguida assisti a um filme em que uma pequena japonesa, com extrema facilidade, construía uma estrela de extrema complexidade, e comecei a me aprofundar, não acreditando que aquela atividade pudesse estar limitada somente aos iniciados. Logo meus familiares começaram a cochichar que um novo santo obsessivo havia incorporado em mim, e essa fase, que durou quatro meses, resultou no presente post e em algumas dúzias de origamis modulares que vou mostrar até o final.

O santo já foi embora, mas o estágio com ele foi bastante gratificante. Quem tiver fotos de suas dobraduras e quiser expô-las por aqui é só dizer. Quem quiser dicas sobre o assunto é só pedir.

A história do Origami (“oru”, dobrar + “kami”, papel) (o dia 24 de outubro é o dia mundial do origami)

A origem oriental

Como todas as tradições antigas o Origami tem sua origem envolta em lendas ou conjecturas a partir de fatos históricos isolados. Há os que afirmam que ele nasceu na China há dois mil anos com a invenção do papel, mas não foram encontradas evidências disso. “Zhi”, na China antiga, significava papel, mas o termo se manteve como o designativo para a seda. No Japão era empregada a palavra “kami” (em referência ao vidoeiro, ou ainda “kaba” ou “kan” para as tiras de madeira ou bambu) e a terminologia permaneceu relacionada ao papel ou a um material em que se escreve. Com base nisso alguns historiadores colocam a origem do Origami no Japão antigo, no período Heian (794 a 1185, em Kyoto), e fazem referências ao folclore japonês em que Abe No Seimei (921 a 1005) teria feito um pássaro de papel que, ao ser oferecido ao rei, se transformara num pássaro de verdade. E ainda citam o “tatogami”, um costume já existente no período Heian em que o papel era dobrado de uma forma específica para envolver quimonos. 

Embora na língua japonesa a palavra “kami” seja empregada tanto no sentido de papel como em referência às forças espirituais supra-humanas do xintoísmo, não há nenhuma relação naquela cultura entre a religião e a origem do origami. A ortografia que permaneceu é a mesma, mas a fonética para os dois significados em japonês arcaico é diferente.

No período Heian a expressão “origami-tsuki” significava um papel dobrado, decorado com gravuras, em que era escrito uma carta ou uma relação de coisas ou eventos. Já no período Edo (1603 a 1868) passou a significar o documento de qualificação que acompanhava um objeto qualquer, como, por exemplo, um presente valioso. No Japão da atualidade o “origami-tsuki” afirma  que um determinado produto foi adequadamente avaliado por peritos. Ou seja: um termo de garantia.

Tzuru

O origami, como passatempo ou recurso decorativo em cerimônias, já era utilizado pelos samurais no período Muromachi (1336 a 1573), com o nome de “orisue” ou “oribaka”. O modelo mais popular, avaliando o seu caráter histórico, sem sombra de dúvida, é o pássaro “tzuru” (ou “orizuru”), que aparece na padronagem de quimonos já no século XVIII. A mais antiga citação documentada se referindo a atividade origami, como a entendemos atualmente, está num poema de Ihara Saikaku, de Osaka, de 1680, em que são descritas as borboletas obtidas pela dobradura do papel (ainda usando o nome “orisue”), utilizadas nos simbolismos de um casamento. Um origami modular em forma de cubo, chamado “tamatebako”, é retratado nas gravuras do Ranma Zushiki de 1734. As dobras para obter um “senbazuru” (mil tzurus) são descritas por Akisato Rito em Sembazuru Orikata de 1797. No entanto, a palavra origami só passou a ser o termo popularmente designativo de dobradura de papel mais recentemente, no período Showa (1926 a 1989), no reinado do Imperador Hirohito.

Outras origens

Em meados do século XIX o pedagogo alemão Friedrich Fröbel desenvolveu um sistema de ensino para crianças em que empregava princípios da dobradura em ludoterapia. O fato é que as distâncias e os longos períodos de isolamento político fizeram com que o intercâmbio cultural só recentemente fosse restaurado. Como conseqüência houve um desenvolvimento em paralelo, mas de forma totalmente independente entre o origami oriental e a dobradura européia.

Atualmente as descobertas de cada lado se misturam o que aponta para um rico confronto. As novas tecnologias na fabricação de papéis e padrões permitem novas possibilidades. A internet transporta os modelos não de mão em mão, como antigamente, mas numa grande velocidade. As pequenas improvisações individuais, que cada origamista vai desenvolvendo, pelo natural método de tentativa e erro, promovem evoluções muito mais rápidas em conseqüência da rápida troca de informações.

O “tzuru” migrou para a Europa nos primeiros anos da era Meiji (1868 a 1912). O Filósofo espanhol Miguel de Unamuno (1864 a 1936) fez muitos modelos do que denominou “la pajarita” (pequeno pássaro). E até hoje, na Espanha, este é o nome dado ao origami. Assim, até 1950, o origami era conhecido por “papierfalten” na Alemanha e “paper folding” nos países de língua inglesa. O Origami atual é fruto do intercâmbio cultural entre Oriente e Ocidente; sendo um híbrido basicamente japonês-europeu.

O origami moderno

Uchiyama Kosho

Tradicionalmente as dobraduras e as formas produzidas eram passadas adiante anonimamente. Não havia uma relação entre a obra e a pessoa que a criara. No origami moderno, a partir do fim do século XX, o paradigma foi invertido. As seqüências de dobradura passaram a ser consideradas modelos desenhados por um criador de origamis. Uchiyama Kosho (1912 a 1998),  foi o precursor desse modo de pensar. Os origamistas começaram a partir da premissa de que a idéia é uma propriedade particular e passaram a patentear os seus modelos.

Na moderna origamia o diagrama que representa a seqüencia de dobraduras para se alcançar um modelo ganhou importância, pois representa o próprio origami de uma forma esquemática e reproduzível. Alguns puristas enfatizam determinadas regras como dobraduras a partir de uma folha quadrada, sem cortes, ou uso de cola, e insistem na regra básica de que para fazer um origami não é necessário nada além de um papel de origami, ou de várias folhas do mesmo tamanho, no caso dos modulares.

Em meados do século XX um grupo de origamistas de várias nacionalidades (Yoshizawa Akira, Takahama Toshie, Isao Honda, Robert Harbin, Gershon Legman, Oppenheimer de Lillian, Samuel Randlett, Vicente Solórzano-Sagredo, entre outros) promoveu a popularização da atividade, fundando organizações, publicando modelos de vários designers, adotando como padrão o método de notação para diagramas de Yoshizawa Akira (1911 a 2005), e transformando o termo origami num designativo universal para a atividade.

A matemática

Peter Engel

Todo origami começa com uma superfície bidimensional, geralmente quadrada, e muitos modelos, que posteriormente irão evoluir para formas completamente diferentes, em suas dobraduras iniciais terão formatos iguais. Estas fases do design que são comuns a vários modelos são chamadas bases. Origamistas modernos (como Uchiyama Kosho na década de 30 e Vicente Solórzano-Sagredo na década de 40) organizaram estas bases de acordo com uma análise geométrica. Observaram os vincos que permanecem no papel ao ser desdobrado e abriram o caminho para o surgimento de novas bases. Maekawa Jun e Peter Engel deram atenção especial às figuras geométricas do padrão vincado do papel desdobrado, e a partir delas reinventaram vínculos projetando novos modelos antes das dobraduras terem sido efetivamente feitas.

Esta teoria evoluiu para uma dimensão matemática e novos modelos foram desenvolvidos por Meguro Toshiyuki, Kawahata Fumiaki, Robert Lang, Max Hulme e Neal Elias e outros. Foram criados algoritmos que avaliam as possibilidades no padrão de vincos de uma determinada base e feitos programas de computador que auxiliam o designer a projetar novos modelos.

A arte

Yoshizawa Akira

A palavra “origami” vem de oru (dobrar) e kami (papel). Assim, origami é papel dobrado. No entanto o origami não pode ser reduzido ao papel, à dobradura, e à obtenção de um determinado modelo, a partir de formas geométricas simples. Muitas figuras do período Edo baseiam-se nas características físicas do washi (papel feito basicamente a partir da casca de arroz). Não é possível fazer um “Catfish”, ou “Water Lilly”, ou “Sembazuru” com papéis ocidentais sem rasgá-lo. Além disso, a filosofia por trás do origami não está centrada unicamente em produzir uma forma, mas no ritual, na cerimônia, e na intenção inclusa na confecção daquela forma. Quem faz um origami expressa algo além da mera modelagem. Desde os anos 50, Yoshizawa Akira afirmava que o origami é uma arte e influenciou a moderna origamia. Ele transcendeu a realidade representada em seus objetos e procurou colocar expressão emocional em suas obras. Yoshizawa inovou molhando o papel para amolecer suas fibras antes de dobrar, e cortando as bordas do papel. Alguns origamistas usaram várias camadas de washi tingidas e criaram formas únicas. Uchiyama Kosho e Michael La Fosse também demonstraram que a escolha do papel e a versatilidade são importantes na origamia moderna.

Eric Joisel

Vincent Floderer

Hoje a modelagem avançada é um atributo exclusivo de designers e aficionados. A cada dia fica mais difícil acompanhar um CP (“crease pattern” – padrão de dobras), base das criações modernas. Há diagramas e análises de vincos muito pouco acessíveis. Na origamia artística moderna a reprodução lúdica, por observadores sem o devido talento, passou a ser uma atividade com tendências ao desaparecimento. Os expoentes nesta arte são Jean-Claude Correia, Vincent Floderer, Eric Joisel, e Giang Dinh.

Origami modular

Robert Neale

Mitsonobu Sonobe

Mukhopadhyay

 Assim como o avançado origami moderno abandonou o critério da peça dobrada segundo um plano e se aproximou da modelagem, seguindo os impulsos do artista, o origami modular (em que peças complexas são criadas pela justaposição de módulos) abandonou o critério de uma única folha, e libera, ocasionalmente, o uso de cola ou amarras para manter a coesão dos módulos.

A primeira evidência histórica de um origami modular aparece (como já foi citado anteriormente) no livro Ranma Zushiki, de Hayato Ohoka, de 1734. O modelo do livro é um cubo chamado “tamatebako” construído a partir de seis módulos obtidos pela tradicional dobradura “menko”, em que cada módulo representa uma face do cubo. Outras estruturas modulares, os “kusudamas”, ou bolas medicinais, apareceram de forma imprecisa no período Edo, e foram redescobertos na década de 60 por Robert Neale nos EUA e mais tarde pela japonesa Mitsonobu Sonobe. Hoje os “kusudamas” se multiplicam em formas e variantes rapidamente se popularizando como elementos decorativos.

O termo kusudama (“kusu”, remédio + “dama”, bola) se origina do uso deste modular, na cultura japonesa, como um receptáculo suspenso para ervas aromáticas ou medicinais. Atualmente eles são usados como elementos decorativos no festival Tanabata Matsuri (Festival das Estrelas) que acontece em julho na província de Miyagi, e como balões para serem partidos em comemorações específicas quando recebem o nome de “waridama”.

Os origamis modulares podem ser planos ou tridimensionais, em forma de estrelas, anéis ou poliedros. Alguns se aproximam de fractais como a esponja de Menger. Há uma grande variedade de módulos, a grande maioria como variantes de um Neale ou de um Sonobe que se baseiam no princípio de que cada unidade possui aletas que se encaixam em bolsos dos módulos contíguos, ou em módulos Mukhopadhyay, fundamentados em bases diferentes, que necessitam ser coladas para ganhar estabilidade.

Além dos exemplos e fotos que ilustram o texto resolvi postar algumas fotos de origamis feitos por mim durante a busca pelas informações que compõem o presente texto. Se houver interesse de alguém pelos diagramas necessários para reproduzi-los é só pedir que o Cágado Xadrez terá o maior prazer em fazer a postagem.

Romacof (Sonobe variante Bascetta)

Romacof (Sonobe variante Bascetta)

Kusudamas variados

Kusudamas variados

Kusudamas variados

Kusudama híbrido electra-flor

Dúvidas! Dúvidas!

Publicado 02/04/2012 por romacof
Categorias: Listas, Política, Realidade

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Agora me bateu uma dúvida: O nome do parlamentar Demóstenes vai mudar para Óstenes? No caso do parlamentar não mudar de nome o partido volta a ser PFL? Se o parlamentar não mudar de nome e se filiar em outro partido ele pode usar o próprio nome? Os antigos companheiros, ou os novos, vão deixar? Como são complexas essas questões políticas! Como o destino é cruel com os donos dos nomes!

Nós eleitores, ajoelhados, em prece diante do altar mor, com santos por todos os lados, olhamos desconfiados pelos cantos dos olhos e perguntamos: “Confiar em quem, Senhor? Em quem”?

Esclarecimentos e orientações aos eleitores.

Publicado 30/03/2012 por romacof
Categorias: Política, Realidade

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Nesse ano há eleições. Assim como em todos os anos pares. Anos pares são aqueles em que o dinheiro que você paga de imposto sofre um surto de retorno em obediência à manjada máxima de que dois coelhos devem ser mortos com uma paulada só. Os dois coelhos, esclarecendo aos incautos, são: o direito que você tem de ver a aplicação pública do que foi recolhido, e o duplo uso do dinheiro na lubrificação da máquina em prol do jogo político. Coisas democráticas. Você foi convocado sem direito à apelação, independentemente da qualidade do produto oferecido. Mas isso é coisa velha e nem adianta ter chiliques. Pense nisso como a aplicação obrigatória do tal princípio da tentativa e erro. A esperança é de que um dia nós acertemos depois de tentar muitas e muitas vezes. Convenhamos que é difícil compreender como é possível sintetizar um perfume a partir de tanto fedor, mas, dizem os entendidos, é por aí mesmo, pois a diferença está numa sutileza química que nos escapa. Um dia sai. O importante é ter fé. Fé de mais ou fé de menos são meras cacofonias do percurso.

Eu ia dizer pra vocês anularem o voto, mas desisti disso. É uma ideia boba. Votem no cara mais parecidinho com cada um de vocês. E seja o que Deus quiser. Se a média dos eleitores não for essencialmente corrupta já é um grande negócio. Se a média não for burra é melhor ainda.

Observem, então, os candidatos. Para isso vou dar uma dica. Nos horários políticos televisionados, que eles dizem que são gratuitos, e são! realmente são! pelo menos naquele instante, uma vez que você já os pagou em suaves e imperceptíveis prestações embutidas na tributação de tudo que você consome, não desligue a TV. Apenas aperte a tecla mute. E mantenha sua atenção sobre o que rola na telinha. Como num filme mudo. Avalie as faces, os olhos, e a mímica de cada um. O que eles dizem não tem valor nenhum. Trocando tudo por estática ainda é mais produtivo. Não são verdades. São chavões. Frases feitas. Coisinhas de efeito para engabelar os trouxas. Nem eles acreditam, realmente, no que estão dizendo. Mandaram que eles dissessem aquilo. O partido. O patrão. O cara que lucra ou pretende lucrar. Enfim, despersonifique o culpado e diga que o script é obra do sistema e portanto irrelevante. Pronto! Agora você terá o candidato limpo. Como o velho Charles Chaplin que em sua pureza nos fazia rir sem dizer nenhuma palavra.  Lembre: a verdade está na alma, e os olhos são as suas janelas.

E depois vem o inevitável dia em que você se tornará responsável pelo que vai dar. Então é melhor fazer o melhor possível, nunca esquecendo que eles vão legislar em causa própria, e muitos deles vão roubar descaradamente, e o remendo só poderá ser tentado no próximo ano par, e nos próximos dois anos pares há notícias de que teremos uma olimpíada e uma copa, e essas coisas mascaram ainda mais o processo, e a próxima chance real pode ficar só para 2016. Resumindo: seja sério pelo menos uma vez na vida.

Considere que há três tipos de políticos: o maluco, o corrupto, e o idealista. O maluco é aquele que pensa que pode mudar o mundo. O corrupto é aquele que sabe que não pode mudar o mundo e não só se aproveita disso como faz o possível para que o mundo permaneça como está. O idealista é aquele que sabe que não pode mudar o mundo, mas faz o possível para que as ideias mudem. Esses últimos são muito raros e são pessoas tristes.

Na política, os idealistas fazem política e os malucos acham grandes soluções para problemas que não existem, ou não percebem onde estão os verdadeiros problemas. Enquanto isso os corruptos lucram com ela. Na paz, enquanto os idealistas lutam e os malucos acham que a revolta é a solução, os corruptos lucram com ela. E na guerra, enquanto os idealistas lutam e os malucos morrem, os corruptos lucram com ela.

Os malucos e os idealistas são temporários. Os primeiros viram chacota ou passam a ser pitorescos. Os segundos geralmente se desiludem e voltam pra casa sem alcançarem uma massa crítica que faça diferença. Os únicos que permanecem são os corruptos. Eles são realistas. Eles sabem que as pessoas não estão dispostas a enxergar. Eles sabem que é mais fácil corromper do que converter. Eles sabem que a permanência é mais garantida quando se lucra e muito incerta quando se luta.

E enquanto milhões podem ser manobrados bovinamente para mantê-los em seus tronos eles se perguntam: “Mudar?! Por quê?”

Pense nisso.

Como fazer um despacho com duas velas e uma garrafa de cerveja!

Publicado 25/03/2012 por romacof
Categorias: Leis, Lendas, Medicamentos, Piadas, Política, Realidade

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O orangotango é meio lento pra certas coisas. Deixa ver se entendi! O advogado, que também é parlamentar, argumenta pela incapacidade contábil do Estado e vota contra o aumento dos professores na Câmara, e, em sua banca, onde enfileira clientes professores, argumenta pela capacidade contábil do Estado e entra na justiça contra o Governo. Deu na Zero. É isso? Não é?  Minha vó sempre disse que acender uma vela pra Deus e outra pro Diabo pode não ser uma coisa muita limpa, mas garante nas duas pontas. Além do mais, quem vai saber?  Eles não se conversam mesmo! Estão de mau há milênios! Isso me lembra a história do cara que vendia Cloranfenicol. Chegava numa cidadezinha. Dava um jeito de entrar num casamento pomposo. Contaminava a maionese com uma Salmonela amiga. Esperava o andaço escorrer e aparecia como o salvador da pátria. Os exames do Lacem demoram uma missa de bispo.  Até lá o esperto vendia o estoque e pegava a estrada. Quando o resultado chegava o povo, já curado, dizia: “Não é que ele tinha razão?”

Parece outra coisa, mas se você olhar bem vai ver que é apenas o outro lado da mesma minhoca: a novela da cerveja na copa. Equacionando: O povo bebia, misturava o porre com as paixões clubistas e o amor pela mãe do juiz, perdia o tino e partia pro pau. Como da violência resultante ocorriam tragédias estúpidas se achou por bem proibir a venda de bebidas alcoólicas nos estádios. Embora se saiba que isso não é levado à risca, e se argumente que é impossível evitar que um indivíduo encha a cara no boteco da esquina antes do jogo, as ocorrências despencaram (vide estatísticas dos órgãos de policiamento). Sempre lembrando que por mais bêbado que alguém esteja ao entrar no estádio não há como manter o mesmo teor alcoólico pulando, gritando, suando e urinado por duas ou três horas.  

Então vem a copa e a soberania do país vai pro pinico. Em nome do lucro, a Fifa, educadamente, faz com que nós os eleitores paguemos regiamente um bando de parlamentares para discutirem se a lei vai ou não tirar férias durante o evento esportivo. E que venham os porres, e as mortes, e o luto. Mas que as empresas produtoras de cerveja alcancem suas metas de venda. E que os engravatados recebam a sua parte (pois não sejamos inocentes de acreditar que ninguém está levando uma comissãozinha nessa história!). Orangotango sofre até com os ecos das coxias: “Nós evangélicos  não entendemos “lhufas” desse negócio florestal, mas se vocês ruralistas votarem com a nossa bancada na questão da “ceva” nós estamos com vocês, nem que seja pra melar.” (Mas onde foi mesmo que minha vó escondeu as velas?)

A Constituição e o Crucifixo

Publicado 21/03/2012 por romacof
Categorias: Leis, Piadas, Política, Realidade, Religião

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Repostando o post misteriosamente perdido e aproveitando a oportunidade para dizer que apena uma pessoa em trinta e três observou a curiosa sombra do prego. Os comentários anteriormente feitos foram perdidos. Em tempo: não advogo a favor da cruz ou da estrela ou do sol ou do seja lá o que for.

Nós leigos temos uma grande dificuldade para entender a abrangência da palavra anticonstitucional (como se não bastasse o seu caráter polissilábico). Quando nos chegam notícias tais como o “recente caso do Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) que, atendendo ao pedido da Liga Brasileira de Lésbicas e de outras entidades sociais, determinou a retirada de crucifixos e símbolos religiosos dos espaços públicos dos prédios da Justiça gaúcha”, automaticamente nos bate na ideia outra questão, bem mais crua: E o resto? Quem gastou tempo, dinheiro (geralmente o nosso), papel, digitação, neurônios, adenosina-tri-fosfato, e saliva, para determinar este transcendente posicionamento, tem se preocupado com o artigo 37º da Constituição que, em um determinado momento, diz que a “administração pública direta, indireta ou fundacional (um neologismo relativo à fundação), de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade”, e por aí vai, com elitistas e rebuscadas citações às hipotéticas sanções pertinentes contra o pecado da “improbidade administrativa”, num eco retumbante às outras fantasiosas “idades” do caput?  (Será que falavam da corrupção?)

Essa gente perdeu o foco?

E já que a sigla GLS inclui os simpatizantes me sinto confortável pra dizer que a perda de tempo foi uma enorme “bichice”. Com dizia o cara de olhar chapado que vendia crucifixos numa feira hippie: “Pelo sim, pelo não, me apego no mais. Mas sem o magrão! Não curto dor!”.

Deixa o mais ! O time pelo qual ele joga é irrelevante! Pense: mesmo que você não acredite nele pode ser que o cara que circunstancialmente for julgá-lo acredite! Se um dia me sentarem na frente de um juiz eu vou dizer: “Senhor Juiz! Coloque o crucifixo ali na parede, por favor. Nessas horas, por via das dúvidas, é bom ter um olho invisível (e um dedão duro e grosso) que fiscalize a minha consciência, e a sua!”


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